Sócio-fundadora da Construtores de Memórias vence o 16° Prêmio IGK

 

Sócio-fundadora da editora Construtores de Memórias e autora do romance histórico Deus T’abençoe, que tem o selo da marca, Aline Torres é a vencedora do 16° Prêmio de Jornalismo do Instituto Guga Kuerten.

O troféu foi recebido das mãos do atleta mais querido do Brasil, de sua mãe Alice Kuerten e de Isabel Machado, da Aurora Alimentos e da Fundação Aury Luiz Bonadese. A entrega da premiação reuniu mais de 700 pessoas, no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis, no dia 21 de agosto.

A reportagem premiada foi “A Visão do Conhecimento”, escrita por Aline Torres e publicada no jornal Notícias do Dia, em 19 de abril. No trabalho, a repórter conta a história de um projeto que transforma clássicos da literatura em radionovelas para cegos. Confira um trechinho:

"Achar que os cegos não veem é miopia. Os olhos captammas quem enxerga é a mente. E a mente estimulada vai longe. Mais rápida que os passos, que os trens, que os aviões. Mais rápida que o preconceito, que os ditos comuns, que a má vontade, não tropeça nos meios fios . A real cegueira é social. Aquela que exclui pessoas aptas, sensíveis e talentosas, que desperdiça, desacredita, extingue do seu campo de visão, esconde.

Deficientes visuais vivem às sombras. Pouco é pensado para eles. Mesmo que representem 6,5 milhões de brasileiros. Praticamente, o número de habitantes de Santa Catarina.

Mas são nas margens que acontecem as revoluções humanas. Feitas por gente que não desanima com as durezas da vida. Aí entra Maria de Fátima Medeiros e Silva, uma estudante de Letras e Português da UFSC, que teve a ideia de dar aos deficientes visuais o direito ao conhecimento.

Sem recursos, angariou pessoas para gravarem livros acessíveis em formato de radionovelas, projeto batizado Releituras, que começou há cinco meses e conta com 172 voluntários.

Fátima é uma pernambucana, 12° filha de Maria Lúcia, na infância se mudou para Biguaçu onde passou boa parte da vida, depois foi viver em Londres e na Holanda, onde esteve por 12 anos.

Voltou em 2011 para auxiliar a mãe, diagnosticada com diabetes em estágio avançado. Ficou desempregada mesmo com fluência em inglês, francês, holandês e alemão e quatro cursos técnicos. Morou na rua. Passou fome. Se restabeleceu -e entrou com uma ação na Justiça pelo direito de cuidar da própria mãe, que na sua avaliação era negligenciada pelos seus irmãos.

E como a reinvenção é uma arte que domina, trabalha atualmente para elevar os precários padrões de acessibilidade no Estado. A primeira etapa do seu ambicioso projeto é entregar 50 contos, de autores brasileiros e catarinenses, para a biblioteca da UFSC, em formato de MP3".

Ela também negociou e recebeu carta branca de quatro rádios - Itapema, Udesc, Cultura e Comunitária do Campeche-, para que “A Hora do Conto” seja incluída durante 15 minutos da programação diária. Para que as vozes se multipliquem e atinjam asilos e hospitais.

Os contos gravados, até o momento, são de Machado de Assis, Um Apólogo e A Cartomante. O célebre autor foi escolhido como ícone do projeto. Órfão, pobre, epilético, mulato, neto de escravos alforriados e, sem direito a uma educação formal, superou todo veneno social e se tornou um dos gigantes da Literatura nacional, comparado com os realistas Flaubert e Dostoievski.

E como as coisas boas vêm aos mesmo tempo, na mesma noite, Maria de Fátima Medeiros e Silva, a protagonista da reportagem “A Visão do Conhecimento”, levou o Prêmio de Inclusão Social do IGK.

Coincidência ou sincronia universal, o fato desse lindo projeto se tornar cada vez mais conhecido traz muito orgulho para a nossa jornalista. Foi ela a primeira a descobrir e a escrever sobre o Releituras.

Guga e os fundadores da Construtores de Memórias, Marcone Tavella e Aline Torres/ Fernando Willadino

Aline Torres tem uma sólida carreira com repórter. Tem dez anos de experiência e escreve para os dois maiores jornais de Santa Catarina, Diário Catarinense e Notícias do Dia, para os principais jornais do Brasil, como UOL, Folha de S. Paulo e Estadão. Colabora também para veículos internacionais como El País e BBC. Roteirizou e dirigiu os documentários “Em Busca da Terra do Nunca”, sobre crianças abandonadas nas ruas de Porto Alegre, e “Vênus do Cárcere”, uma releitura dos mitos greco-romanos com detentas do sistema prisional brasileiro.

Sua principal característica profissional é aliar apuração rigorosa, com um texto bem escrito, prazeroso de ler, com fortes elementos da Literatura. É uma profissional realizada e feliz pelas suas escolhas, que decidiu nos últimos anos dar um passo a mais. Este é o motivo para fazer da editora Construtores de Memórias seu novo projeto de vida. Seu propósito sempre foi contar boas histórias, que façam a diferença e que deem significado aos dias.

A jornalista tem dois livros publicados. “No Princípio era a Fé”, em comemoração aos 50 anos de história da Associação dos Hospitais de Santa Catarina, e Deus T’abençoe, que narra a jornada de um casal de italianos que foi angariado no pós-Segunda Guerra Mundial para colonizar o Centro-Oeste brasileiro, uma grande vazio demográfico na época. Uma história real de esperança e bravura.

Seu objetivo é dedicar tempo, talento e esforço para descobrir o valor inesperado de eternizar memórias.  Num mundo líquido, algo que quando bem guardado não pode ser dissolvido.

 

 

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