Um livro sobre nunca desistir de se encontrar

Biografia escrita em 1ª pessoa contando momentos marcantes da vida de Ivete Terezinha Volkmer Gemelli

 

A capa do livro foi desenhada pelo filho da Ivete, Vitor, aos 10 anos

A vida de Ivete Terezinha Volkmer Gemelli é inspiradora. A caçula do casal Maria Verônica e Evaldo tinha a discrição dos sábios, a persistência dos vitoriosos e a humanidade dos justos. Sua trajetória foi marcada pela busca incessante do auto-descobrimento. Com este norte ela prosperou em tudo que fez, colocando a curiosidade acima da timidez e dos mais difíceis obstáculos.

O ponto de partida para o livro Minha vida em direção ao mar é o diário que Ivete alimentou por 25 anos, entre abril de 1985 e agosto de 2011. Encontrado pelo irmão Roque Volkmer, o documento revela as reflexões íntimas e profundas que guiaram o processo de amadurecimento pessoal e profissional da gaúcha de Campina das Missões.

O desejo de uma biografia sobre a Ivete surgiu depois que o diário foi entregue ao seu marido, Aires Euclides Gemelli. Para ele foi como se estivesse diante de uma chave para compreender algumas das lacunas deixadas por anos de convivência e que ficaram sem respostas após a morte da amada. Ao mesmo tempo, os escritos eram um consolo poderoso para o seu luto.

Quando procurou a editora Construtores de Memórias, Aires sentia que tinha em mãos um material rico, capaz de abrandar a saudade de quem conviveu com sua esposa e com potencial de emocionar até mesmo desconhecidos. Acima de tudo, Aires vislumbrou a possibilidade de deixar um legado importante de Ivete para Vitor, o filho do casal que tinha pouco mais de dois anos quando a mãe adoeceu.

Escrito em primeira pessoa, o livro traz em itálico alguns trechos extraídos do diário, escritos pela própria Ivete. O restante da narrativa foi criado sob o ponto de vista da personagem central com a intenção de reacender lembranças de quem compartilhou momentos com ela.

Durante três meses foram entrevistados familiares, colegas de trabalho e amigos da juventude. Todos ainda sentiam muito a ausência dessa mulher bondosa, de sorriso contido e inteligência acima da média.

Minha vida em direção ao mar é um livro sobre nunca desistir de se encontrar. Nunca deixar de lutar por aquilo que se sonha. História de fé, bravura, amizade, selada pelo despertar de um amor capaz de dar razão a tudo que ela sempre buscou.

 

Trecho da obra

Não me recordo o motivo pelo qual passei a rabiscar reflexões, dilemas, sofrimentos, perdas e angústias no papel, em uma ordem cronológica, organizada por datas. Um diário. Uma coleção de sentimentos que fui tecendo com pouca disciplina, já que deixei passar em branco alguns anos importantes.

O papel nunca deixou de ser um ponto de apoio, um refúgio em meus momentos solitários, de dor, introspectivos, em que meu caminho parecia ter encontrado uma encruzilhada sem placas de direção. Como no primeiro registro, em 11 de abril de 1986:

 

É! Eu acho que estou num momento de “baixo-astral”. Às vezes é tão difícil aceitar as coisas como elas são. Eu faço tantos propósitos de mudar, mas sempre volto a cair. Mas eu sei que eu tenho força para levantar de novo e prosseguir. Deus é essa força, eu sei que ele está sempre perto de mim, às vezes sou eu que me afasto dele e por isso volto a cair. Perdoa-me meu pai, ajuda-me a ficar sempre perto de ti.

“Orar significa tornar-se silencioso na presença de Deus, abandonar a tudo o que é deste mundo e escutar a Deus deixando-o falar”.

“Amar alguém é realizar o sonho que Deus tem desse alguém”.

“Há esperanças que são como estrelas: brilham, mas não trazem luz. Lindas, mas ninguém as alcança”.

Florianópolis, 11 de abril de 1986

 

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