Preservar a memória em livro é se tornar imortal

POR ALINE TORRES

Em uma entrevista com o monge zen budista Genshô Sensei, falávamos sobre honrar nossas raízes e ancestralidade quando ele me perguntou se eu sabia o nome dos meus oito bisavós. Perguntinha simples e danada. Me desconsertou! Obviamente fiquei sem resposta, mais que isso: me senti desconectada.

Foi estranho pensar que a existência dos meus ancestrais foi apagada em menos de um século. Somos mesmo poeira cósmica que a história leva.

A única ferramenta de permanência é a memória. Nela habitam as grandes aventuras, as epopeias, as tragédias, os romances.

Mas a questão é porque alguns personagens são lembrados e outros esquecidos?

Pense bem. São os livros que nos tornam imortais!

Nem Jesus Cristo seria conhecido após dois mil anos sem a Bíblia. Tampouco Buda ou Maomé. Nem os santos, nem os pagãos poderiam sobreviver ao tempo se não houvesse um escritor por trás de suas vidas.

É claro que é possível encomendar testes de DNA que prometem descobrir nossa história. Esses kits podem ser comprados em muitas farmácias e também por sites.

Na verdade, o que eles oferecem são relatórios de etnias – que podem ser bacanas se entendidos como pontos de partida.

O problema é que muitos desses testes têm se mostrado imprecisos. O DNA humano é como um código complexo de três bilhões de letras e as melhores empresas de rastreio conseguem ler apenas um milhão dessas letras, uma porcentagem minúscula, no processo chamado de genotipificação. Depois da leitura ainda existe um segundo funil, cruzar o DNA com as pessoas cadastradas no banco de dados empresarial.

Resumindo, talvez você não saiba o nome dos seus oito bisavós (eu sei apenas os de dois), mas queira preservar com todo carinho a trajetória daqueles que ama.

Uma boa dica é comprar um caderninho de anotações e começar a entrevistar seus familiares queridos. Não perca tempo! A vida é agora.

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