A saga da família Marchió no Brasil está agora preservada

Romance histórico conta a trajetória do casal Alessandro e Domenica desde a despedida da Itália até se estabelecer no Brasil para prosperar

Deus T’Abençoe é diferente de todos os livros que conhecemos quando pensamos em imigração no Brasil. Trata-se de um romance histórico, acrescido de um jogo no plano temporal, com entrecruzamento de personagens célebres e anônimos, sobre a improvável saga dos italianos que deixaram seu país para colonizar o Centro-Oeste brasileiro, logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Arregimentados por um político que havia lutado pela Coluna Prestes e depois se uniu a Getúlio Vargas, foram parar em uma região pouco habitada, conhecida pelas lendas bandeirantes: cercada de índios devoradores de gente, animais indomáveis e montanhas de ouro e diamantes.

Na Europa, porém, nossos protagonistas, os Marchió, enfrentaram feras muito mais perigosas. O ódio, a morte, a guerra, uma sociedade em colapso. A dor de ver o amado país em ruínas os obrigou a escolher no outro lado do oceano, nos confins do mundo, um local para recomeçar.

Foi em uma cidadezinha do Sudoeste goiano que ergueram seu lar, construíram duradouras relações de amizade, com patrícios e brasileiros e criaram seus sete filhos. A família se tornou conhecida por se trabalhadora, honesta e corajosa. Unida enfrentou duras provas.

Uma trajetória de lutas regida, sobretudo, pela matriarca, Domenica. Italiana de ferro – de fé, que enfrentou os mais amargos desafios da vida e ainda foi capaz de abraçar os renegados da sociedade, velhos, pobres e doentes, no ímpeto de salvar a si mesma salvado o outro.

Uma história real de amor e bravura.

 

Trecho da obra

Dois meses depois, a família Marchiò estava no porto de Gênova com um nó no peito. Domenica segurava a filha Clelia, de 3 anos, nos braços. A menina estava em desalento. Sabia que o pai e o padrinho iam viver em um país muito longe. Pina também estava inconsolável. Tinha acabado de se casar com Francesco Bongera. Jamais ela poderia ter previsto uma lua de mel tão triste.

No dia 24 de abril de 1950, seus irmãos tão queridos, embarcaram rumo ao fim do mundo.

 

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